terça-feira, outubro 22

Acolhida



 Aqueles que falam das alegrias do amor, por certo, nunca amaram. Amar um ser é senti-lo necessário, portanto, sentirmo-nos nós próprios numa incessante precariedade.
-- Jean Rostand


Mudei muito nos anos que passaram, minha visão do ser humano mudou radicalmente, hoje já consigo perceber as debilidades humanas e suas maldades de modo diferente, antes achava que todos eram bons e que as maldades eram consequências da precariedade das relações humanas, hoje vejo que fraquezas são consequências da precariedade das relações humanas, e que as maldades são gratuitas, e existem, como existem, são bem elaboradas com o fim de obter qualquer que seja o lucro financeiro ou emocional, ou pelo simples prazer de fazer o mal, destruir.
Percebo em mim a urgência por querer acolher e ser acolhida. Acolher o outro em suas debilidades, cicatrizes emocionais provocadas pelo tempo, pela vida que nem sempre foi tão boa, pela infância que nem sempre foi cheia de harmônia, acolher para ter um relacionamento onde o que menos importa são as máscaras sociais , e que o mais importa é o bem querer.
Não quero saber  quando e onde você é perfeito, quero saber quando precisas de conforto, de dar conforto, quando por suas e minhas debilidades houver magoas tenhas serenidade de entender isso e retomar a via do entendimento, quando por medo de ser feliz inventar um jeito de me ferir para eu ir embora, ainda em tempo perceba o meu e seu sofrimento e não se afaste antes de ser feliz .
E eu amorosamente permanecerei ao seu lado.
Quanto as pequenas e grandes  maldades, que eu e você somos vitimas diariamente, tente pelo menos em pensamento desejar o melhor a quem a fez, afastando de ti o mal que por você passou mais não terá morada.

sexta-feira, outubro 18



Conversando sobre a morte e a vida

Na verdade ninguém sabe nada sobre a morte e muito menos sobre a vida.
Em vida nos perdemos no consumo em relações superficiais, quando a morte vem ficamos paralisados.
Sei que existem historias que parecem vividas pela metade, que são vividas com tanto sofrimento, que fica difícil dizer se vivemos ou morremos a cada dia.
A pequena Geovana, guerreira tão pequena, lutou pela vida, conhecia como ninguém as agruras de uma infância pobre e desprotegida, de filha família humilde, sem nenhuma proteção das leis vigentes, morava em uma das maiores invasões do Distrito Federal, onde o lixo e o trafico dominam , em uma casa pequena, úmida, em terreno de alto risco, de dificil acesso, morava com seus pais e irmãos. Sua mãe trabalha em casas de família, saia às 5 e 30 todas as manhãs para buscar o sustento da casa, história comum entre as mães da periferia das grandes cidades.
E nossa pequena vinha de tão longe, depois vencer tantos obstáculos da vida, chegava à escola.
Lutou dia após dia para ser vista, e sendo vista, teria seus direitos fundamentais assistidos.
Mas veio a morte e ela ganhou a vida!
E o que gritava seus olhos, tão pequenos foi visto por todos, sua solidão, sua falta de tudo e de todos, sua casa pequena, mas cheia de amor de seus pais, sua comunidade tão pobre de tudo, de escola ,de coleta de lixo, de hospital, de transporte,  de hospital,de segurança.
Percebi que na verdade a escola, era realmente o seu mundo bom, tão distante de suas lutas, cheio de historias, música, filmes, brincadeiras, letras muitas letras.
Devia olhar sua professora linda, com seu batom laranja, e como nos filmes infantis se imaginar como uma princesa,como ela . E construir historias em sua mente , sentindo seu coração bater mais forte a cada vez que chegava a este mundo bom.
Mas ela se foi, e a vida e a morte neste momento se confundem, morreu a matéria o corpo, mas seu legado ficou, me fazendo acreditar que nenhuma criança deveria morrer para viver aos olhos desta sociedade injusta que exclui nossos pequenos.
Que Deus em sua infinita misericórdia, acolha aqueles que sofrem com sua perda, e console o coração de sua família.


quarta-feira, outubro 16










O silêncio das perdas

Quando perdemos alguém, ficamos paralisados sem nada saber dizer.
Sei que tenho a sensação que existem historias que são vividas pela metade, sem um fim, que se possa dizer que realmente de "fim".
Pessoas que se conhecem,permanecem, enchem a vida de "vida", e de repente vão embora sem deixar que outro lhe diga de seus temores, de suas angustias, de seus defeitos, de seus medos, sem ao menos esperar pela ultima declaração de amor, o ultimo abraço, um último afago.
E no silêncio das perdas constroem- se o vazio, o desespero da falta, os dias se arrastam, o riso cessa a vida apaga !
As perguntas ficam sem respostas,os segredos ficaram sem confidente, os sonhos sem cúmplice.
Não sei o que pensar...Mas fico observando, que nada para, tudo continua apressado. Os dias se vão...e eu contando todos eles, não acreditando que se passaram tantos, as crianças continuam a gritar, o trabalho não cessa.
Só eu parei, pra quem sabe ver você voltando devagarinho, sentar ao meu lado contando suas histórias, enchendo o vazio que ficou.

terça-feira, outubro 15

Amor !


Tango de Nancy

Quem sou eu para falar de amor
Se de tanto me entregar nunca fui minha
O amor jamais foi meu
O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou ... Chico Buarque



... Então quem sou eu para falar de amor?
Se as vezes nem vc pareço aguentar todos os pensamentos que produzem minha mente
Se julgo os outros pelo que vivi !
Se as vezes perdida nem sei ao menos que sou 
se imploro por atenção a toda hora todo minuto, 
sabendo que a vida gira e que o mundo não pára 
Quem sou eu pra falar de amor ? 
Se na angustia da noite invento e reinvento mil formas de me 

encontrar, e quem sabe nesta busca encontrar você ...

Amor!




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"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..." Clarice Lispector